Ela, quando criança, achava (mesmo!) que seus passos eram tão leves que os elfos não iriam rir dela quando ela se aproximasse, e achava que quem sabe eles até a convidassem para morar com eles. Ela pulava da cama para o chão, e dizia a todos que quisessem ouvir (ou melhor, não ouvir), o baque dos pés encontrando o chão.
Um dia ela percebeu que não queria mais que os elfos a convidassem. Um outro dia ela percebeu que não nem queria mais que eles viessem. No outro dia alguém disse que eles não existiam. E ela chorou. E um outro dia, muito depois dessa revelação, ela estava andando por aí escondida no meio da noite pela casa, e ouviu. Ouviu mesmo, e não quis acreditar que eram os seus pés que faziam aquele 'toc toc toc' no chao de madeira. Aquilo foi até mais triste do que perceber que os elfos não chegariam nunca. Era admitir que ela tinha crescido, e que tinha um monte de coisas na cabeça dela quefaziam com que ela tivesse parado de praticar os saltos, e que pelo contrário, pesavam dentro dela.
E ela percebeu que junto com os passos silenciosos, muitas coisas também já não estavam mais lá. Foi uma coisa estranha, perceber que o tempo passou e que pela primeira vez ela não queria seu aniversário chegando, porque significava perder sabe-se lá o que mais. E percebeu que se esquecer era uma coisa triste. Que esquecer a lição de casa é bem menos ruim do que esquecer do som da voz de um amiguinho da escola que gostava de ir no balanço.
Um dia ela percebeu que não queria mais que os elfos a convidassem. Um outro dia ela percebeu que não nem queria mais que eles viessem. No outro dia alguém disse que eles não existiam. E ela chorou. E um outro dia, muito depois dessa revelação, ela estava andando por aí escondida no meio da noite pela casa, e ouviu. Ouviu mesmo, e não quis acreditar que eram os seus pés que faziam aquele 'toc toc toc' no chao de madeira. Aquilo foi até mais triste do que perceber que os elfos não chegariam nunca. Era admitir que ela tinha crescido, e que tinha um monte de coisas na cabeça dela quefaziam com que ela tivesse parado de praticar os saltos, e que pelo contrário, pesavam dentro dela.
E ela percebeu que junto com os passos silenciosos, muitas coisas também já não estavam mais lá. Foi uma coisa estranha, perceber que o tempo passou e que pela primeira vez ela não queria seu aniversário chegando, porque significava perder sabe-se lá o que mais. E percebeu que se esquecer era uma coisa triste. Que esquecer a lição de casa é bem menos ruim do que esquecer do som da voz de um amiguinho da escola que gostava de ir no balanço.
