quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

- Carta.

Eu hoje encontrei a carta que procurava no blog de outra pessoa, que por sua vez postou o texto de outra pessoa. Quem sabe o texto já seja famoso, não conheço muitas coisas dessas, vivo no meu globo de vidro, me bitolei para passar no vestibular (e isso nem deu certo) ... enfim, sou uma alienada (e ainda tento dar essa desculpa velha do vestibular...). O fato é que ao ler a carta eu soube exatamente o que ele sentia sobre isso que chamamos de “relacionamento”. Difícil ter um relacionamento, quando conseguimos sorrir um para o outro uma vez a cada seis meses. Quando podemos passar a mão na face um do outro a cada seis meses... Mas com muito esforço, passamos a chamar de relacionamento. E aqui vai minha resposta à carta que ele não escreveu, mas com certeza escreveria (talvez com palavras menos bonitas, mas para mim, seria a carta mais linda do universo).

Escrevo aqui da minha cama, nessa paisagem que você tanto viu nas minhas fotos, mas talvez nunca tenha prestado atenção. Meu quarto é bagunçado, tem roupa jogada em cima da minha cama, tem um sapo de pelúcia que dorme comigo. As roupas hoje eu arrumei, o cobertor eu dobrei. O sapo está aqui do meu lado.

Tem muitos livros no meu quarto, você deveria saber que gosto muito de ler, tem muitos chocolates aqui também. Gosto de chocolate, mas sou dessas que guarda de tão gostoso que é, até que apodreça. Sim, há tantas coisas que você deveria saber sobre mim e não sabe. Teria sido ótimo me apresentar pra você, tal como amigos normais o fazem. Se tivesse sido assim, talvez você tivesse percebido antes que eu sou um humano interessante, talvez você só me achasse um saco. Meus amigos me dizem que não é difícil gostar de mim, mas também, é por isso que são meus amigos. Eu gostaria de saber o que você acharia das minhas manias, o que você acharia do jeito que eu durmo, das comidas que eu gosto, do meu jeito de escovar os dentes. Se você soubesse das minhas manias, de como eu durmo, do que eu como, de como escovo os dentes. Mas você não sabe, porque te conheci e tão logo tive de partir, e sobrou-me só sua foto, no meu computador (existe coisa mais fria que isso?).

E como poderia me conhecer se nem podia me ouvir rindo do que você me escrevia? Minha amiga diz que meu sorriso é do que ela mais gosta. Meu pai diz que eu falo o “R” de um jeito inconfundível. Mas você nem poderia saber disso. Como você poderia me conhecer, se nem das coisas pequenas da minha vida você sabe? Como entenderia das coisas grandes?

E assim mantivemos o nosso relacionamento, sem que você soubesse o que há em mim que não pode ser traduzido em palavras. E também sem eu saber o que há em você por trás desse seu lindo par de olhos. Garanto pra você que já foi o suficiente para querer te ter ao meu lado a todos os segundos que eu tiver, mas como poderia admitir, se nem sei se você gosta mais de chá mate ou de coca-cola? Como poderia ter coragem de dizer que gosto de você pelo que você é por fora e pelo que acho que é por dentro? Você poderia ter mentido tantas vezes para mim, poderia ter rido do que te contei. Não sei o que você fez, não sei qual sua reação ao ler nossas conversas. Não sei se já chorou alguma vez por mim, se pensa em mim todos os dias. Não sei.

Queria te dizer, meu querido, que comecei a conversar com você porque era uma carente. Uma coitada, e não há outra palavra que não “carente” para me definir naquele tempo. E você se mostrou a pessoa que poderia me tirar daquele status, não fossem os 400 quilômetros que nos separam. Sou uma egoísta, me lembro quando pensei “por esse eu não posso me apaixonar”, como se fosse possível uma coisa dessas. Você é apaixonante, sua ex-namorada acertou em cheio quando te definiu nessa única palavra. Mas é claro que ela não sabia, e claro que você não sabe o quão verdadeira essa palavra é.

Não sei quando vou poder te ver de novo. Todos os nossos encontros foram muito curtos, e eu logo precisava voltar pra São Paulo. Sempre. Eu, que achava essa cidade linda, não podia mais querer voltar, porque significava me deixar muito longe da pessoa mais linda que já conheci. E briguei com São Paulo, briguei com minha mãe, chorei todos os quilômetros que nos separaram. Chorei suas mensagens, chorei por não ter virado minha cabeça uma última vez ao me despedir de você. Queria ter tido só mais uma imagem sua na minha cabeça. A gente nunca sabe quando vai ser o último beijo, quando vai ser o último sorriso. Eu queria saber, para ter dado o último e me lembrar de cada sensação que você provoca em mim.

Quando cheguei em casa, depois daquela vez, não conseguia mais deitar minha cabeça em paz no travesseiro. Eu poderia ter sido alguém muito melhor, e quem sabe você tivesse escrito algum bilhete para mim, eu não precisaria achar suas palavras na carta de um blogueiro. Eu posso jogar a culpa na bebida, posso jogar a culpa nos nossos amigos que também estavam na mesa, mas sei que a culpa é minha. Tenho uma compulsão por terminar o que nem começou. E naquela noite poderia ter começado alguma coisa, mas eu estava com a cabeça no futuro, pensando em como terminaria. Como meu coração seria rasgado, como eu aprenderia a viver depois. Foi nisso o que eu pensei, quando respondi ao seu “dói?”. Dói muito, muito. A cada dia dói mais, mas eu respondi só com um “um pouquinho só”. Nem era sobre essa dor que você perguntava, mas eu tinha a cabeça em outro lugar.

Te gosto muito. Muito mesmo, mas você nem deve ter idéia. É um ‘muito’ muito grande, e um ‘gosto’ muito sincero. E queria te ter aqui do meu lado pra explicar tudo, e perguntar, depois de toda essa conversa, o que vai ser de nós. Se você pode gostar de alguém que não conheceu, se você pode conviver com alguém que não saiba nem viver, se você quer me ver a todo instante ou se você prefere que seja uma vez por ano. Claro que não estou preparada para nenhuma das duas respostas, mas eu nunca estou preparada para nada.

Te gosto muito, e queria que você só pensasse no que te escrevi. Não há nada muito profundo, talvez na verdade eu só queira que você pense em mim.

Com amor, te deixo um abraço e um beijo.
Hannah.

“p.s.: Te escrevo, enfim, me ocorre agora, porque nem você nem eu somos descartáveis. E amanhã tem sol.” – Caio F.
Não pude evitar, tem horas que o melhor é esquecer, mas tenho tendência a fazer tudo errado.

5 comentários:

Nanah disse...

eii...
td bem??

nossa.. qe carta!
na hora certa.. um namoro recem terminado... =/

gostei do teu blog..
tbm tenho um.. mas nem tão bem escrevo.. e gosto de Rita Apoena como vc!

abraçoo! =)

DIE disse...

Nah, tem horas que eu simplesmente não sei o que te dizer... Essa carta te caiu como uma luva mesmo meu...

Desculpa Nah, eu também poderia tentar escrever algo dizendo que a vida é linda aqui mas, bom, o dia hoje não é tão propício pra isso mas...

Beijokas pra vc... me desculpe... te adoro...

MadPin disse...

E vai fazer oq na engenharia ?
=P

Seu veterano...
se quiser add:

msn: madpin@gmail.com

Lou disse...

Ah..uma carta.
O seu Lado Esquerdo é imprevisível, como diria o papai.

Łeandrømeda disse...

Seu blog tem me rendido uma boa média de visitas, mesmo tendo abandonado o meu blog, HAHAHA! 8D